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PeRLS 2025 (ASA): o que muda na ressuscitação perioperatória

A diretriz PeRLS 2025 organiza a ressuscitação perioperatória como um conjunto de decisões rápidas, ancoradas em causas reversíveis características do centro cirúrgico, e formaliza recomendações operacionais com linguagem padronizada e algoritmos dedicados.

Jonas Santana

Jonas Santana

Verificado

Anestesiologista TSA · Especialista em Clínica Médica

PeRLS 2025 (ASA): o que muda na ressuscitação perioperatória

Key Takeaways#

Ventilação e compressão

  • Ventilação durante PCR: ventilar 10-12 irpm e evitar hiperventilação (>16 irpm).
  • PCR em prona: iniciar RCP na posição prona, sem virar para supino, para reduzir atrasos.
  • POCUS/eco na RCP: pode ser usado, desde que a pausa em compressões seja ≤10 s.

Doses e escalonamento em cenários críticos perioperatórios

  • Bradicardia perioperatória: atropina com doses diferentes conforme cenário.

    • 0,5 mg IV em bradicardia importante (FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão).
    • 1,0 mg IV quando há suspeita de parada iminente/emergente, com escalonamento rápido.
    • Atenção: não usar atropina em parada já estabelecida (seguir ACLS).
  • Anafilaxia: epinefrina com dose inicial definida e escalonamento rápido.

    • Epinefrina IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM, com escalonamento rápido (ex.: duplicar).
  • Bloqueio neuraxial alto com "parada iminente": atropina 1 mg IV e epinefrina 100-200 mcg IV precoces, com algoritmo dedicado.

Toxicidades e condições específicas com padronização operacional

  • LAST: emulsão lipídica 20% formalizada e "ACLS modificado", incluindo bolus/infusão, dose máxima e ajustes em vasopressores e antiarrítmicos.
  • Hipertermia maligna: dantrolene com dose de ataque e checklist, com recomendação de dantrolene 2,5 mg/kg IV e sistematização de condutas associadas.

Hemorragia e trauma

  • Parada no cenário de trauma com suspeita de hemorragia: alvo de PA permissiva até hemostasia.

    • Considerar hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até controlar o sangramento.
    • Priorizar causas reversíveis na parada traumática.

Por que o PeRLS 2025 importa no centro cirúrgico#

Parada cardíaca no perioperatório segue sendo um evento raro, porém com desfechos potencialmente catastróficos. A diretriz lembra incidência aproximada de 2 a 13 por 10.000 anestesias e mortalidade até a alta que pode variar amplamente (~32 a 75%), dependendo do contexto.

O diferencial do centro cirúrgico é que muitas causas são reconhecíveis e reversíveis em minutos, desde hipóxia por via aérea até toxicidades farmacológicas e hemorragia aguda, mas a janela é curta.

A atualização PeRLS 2025, publicada na edição de dezembro de 2025 na Anesthesiology, é descrita como a terceira iteração realizada com método estruturado (perguntas PICO, recomendações e atualização de algoritmos).

Abaixo, faremos um resumo direto ao ponto com as mudanças/atualizações explicitadas em 2025. Lembrando que este post não substitui a necessidade de leitura do documento completo que inclui todos os fluxogramas completos.

O que a versão 2025 traz de mudanças#

Hipovolemia: reanimação guiada por responsividade a volume

Sugere usar índices dinâmicos (ex.: PPV) para orientar fluidos durante hipotensão em adultos.

Importante ficar atento às limitações: falência de VD, tórax aberto, hipertensão intra-abdominal e arritmias.

Ventilação durante PCR: alerta contra hiperventilação

Sugere ventilar 10-12 irpm e evitar hiperventilação (>16 irpm) durante a parada.

Bradicardia perioperatória: atropina com doses diferentes em cada cenário

  • 0,5 mg IV em bradicardia importante (FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão).
  • 1,0 mg IV quando há suspeita de parada iminente/emergente, com escalonamento rápido.

Atenção: não usar atropina em parada já estabelecida (seguir ACLS).

Anafilaxia: epinefrina IV com dose inicial definida e escalonamento rápido

Recomenda epinefrina IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM com escalonamento rápido (ex.: duplicar).

LAST: emulsão lipídica 20% formalizada + "ACLS modificado"

Recomenda emulsão lipídica 20% e descreve bolus/infusão e dose máxima, além de ajustes em vasopressores e antiarrítmicos.

Hipertermia maligna: dantrolene com dose de ataque e checklist

Recomenda dantrolene 2,5 mg/kg IV e sistematiza condutas associadas.

Parada no cenário de trauma com suspeita de hemorragia: alvo de PA permissiva até hemostasia

Sugere hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até controlar o sangramento.

E destaca priorização de causas reversíveis na parada traumática.

Bloqueio neuraxial alto: atropina/epinefrina precoces quando "parada iminente"

Sugere atropina 1 mg IV e epinefrina 100-200 mcg IV nesse contexto, com algoritmo dedicado.

PCR em prona: iniciar RCP na posição prona

Sugere começar compressões sem virar para supino, para reduzir atrasos.

POCUS/eco na RCP: pode, mas sem "roubar tempo" da compressão

Uso permitido, desde que a pausa em compressões seja ≤10 s.

Tabela 1: mudanças de 2025#

TemaRecomendação operacional destacada em 2025Observações/limitações citadas
HipovolemiaGuiar reposição por responsividade a volume com índices dinâmicos (ex.: PPV)Limitações: falência de VD, tórax aberto, hipertensão intra-abdominal, arritmias
Ventilação na PCR10-12 irpm e evitar hiperventilação (>16 irpm)Diretriz reforça evitar hiperventilação
Bradicardia perioperatóriaAtropina 0,5 mg IV vs 1,0 mg IV conforme cenárioNão usar atropina em parada estabelecida (seguir ACLS)
AnafilaxiaEpinefrina IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM com escalonamento rápidoExemplo de escalonamento: duplicar
LASTEmulsão lipídica 20% + "ACLS modificado"Inclui bolus/infusão/dose máxima e ajustes em drogas
Hipertermia malignaDantrolene 2,5 mg/kg IV + checklistCondutas associadas sistematizadas
Trauma com hemorragiaHipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até hemostasiaPriorizar causas reversíveis na parada traumática
Bloqueio neuraxial altoAtropina 1 mg IV e epinefrina 100-200 mcg IV precoces quando "parada iminente"Algoritmo dedicado
PCR em pronaIniciar RCP em prona para reduzir atrasosObjetivo central: reduzir atraso para compressões
POCUS/eco na RCPPode usar se pausa de compressão ≤10 sSem "roubar tempo" de compressões

Diagnóstico rápido no perioperatório: "9H + 9T" (causas principais de PCR)#

A diretriz organiza as causas reversíveis do perioperatório em 9 Hs e 9 Ts, com exemplos do centro cirúrgico.

Revisando os algoritmos#

1) Bradicardia perioperatória

Conduta prática (conforme diretriz):

Ações imediatas

  • O₂ 100%
  • Checar ventilação/ETCO₂
  • Hemodinâmica
  • Profundidade anestésica e gatilhos vagais/cirúrgicos
  • Causas perioperatórias relevantes

Atropina quando severa/instável

  • 0,5 mg IV em bradicardia importante (FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão)
  • 1,0 mg IV quando há suspeita de parada iminente, com escalonamento rápido.

Ponto de segurança

  • Atropina não recomendada na parada estabelecida (seguir ACLS).

Escalonamento

  • Considerar pacing quando disponível (o texto discute potencial superioridade em certos cenários) e seguir progressão do algoritmo.

Tabela 2: atropina na bradicardia perioperatória (PeRLS 2025)

CenárioCritério clínico citadoDose de atropina
Bradicardia importanteFC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão0,5 mg IV
Suspeita de parada iminente/emergente"parada iminente" com necessidade de escalonamento rápido1,0 mg IV
Parada já estabelecidaParada estabelecidaNão usar atropina, seguir ACLS

2) Taquicardia perioperatória

O algoritmo é estruturado em:

Primeiro filtro

  • Instabilidade hemodinâmica: prioridade é cardioversão sincronizada.
  • Se sem pulso: migrar para algoritmo de PCR.

Se não instável

  • Investigar causas perioperatórias e classificar por:

    • QRS estreito vs largo
    • Regular vs irregular Guiando terapêutica conforme o fluxograma do ACLS.

3) Anafilaxia perioperatória

A diretriz enfatiza variabilidade das apresentações clínicas e a possibilidade de deteriorização rápida.

O algoritmo é dividido em três blocos:

Pré-parada (reação grave/choque)

  • Interromper agente

  • Pedir ajuda

  • O₂ 100%

  • Volume (cristaloide ~20 ml/kg conforme necessidade)

  • Epinefrina em doses escalonadas:

    • Inicialmente IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM
    • Doses repetidas de 0,1 a 0,3 a cada 3 a 5 min
    • Possibilidade de infusão contínua (0.05 to 0.3 μg · kg−1 · min−1)
  • Se a hipotensão persistir: pode-se associar outro vasopressor (noradrenalina ou vasopressina).

Adjuvantes

  • Antagonista H1: difenidramina 50 mg IV
  • Antagonista H2: famotidina 20 mg IV
  • Corticoide: hidrocortisona 50 a 150 mg ou metilprednisolona 1 a 2 mg/Kg
  • Broncodilatador
  • Glucagon se uso de betabloqueador

Parada cardíaca

  • RCP
  • Epinefrina 1 mg a cada 3-5 min
  • Demais passos do ACLS

Após estabilização

  • Coleta de histamina/triptase (timing)
  • Monitorização em UTI por 24h após evento grave

4) LAST: intoxicação sistêmica por anestésico local

Pré-parada

  • Suspender anestésico local
  • Pedir ajuda
  • O₂ 100%
  • Evitar hiperventilação
  • Tratar convulsões com benzodiazepínicos
  • Evitar grande dose de propofol em instabilidade cardiovascular
  • Comunicar equipe de ECMO

Emulsão lipídica 20% (núcleo do algoritmo)

  • Bolus 1,5 ml/kg (2-3 min) depois

  • Infusão 0,25 ml·kg⁻¹·min⁻¹

  • Manter até estabilidade e por 10 min após estabilização

  • Se instabilidade persistir:

    • Repetir bolus
    • Dobrar infusão contínua se necessário
  • Dose máxima aproximada 10-12 ml/kg (massa magra)

  • Administrar bolos de 10 mcg de epinefrina se PAS < 90 mmHg

  • Considerar bicarbonato se pH < 7,2 ou hipercalemia

Se PCR

  • RCP e ACLS com modificações listadas:

    • Doses reduzidas de epinefrina 0,1 a 0,3 mg
    • Evitar vasopressina, betabloqueador, bloqueador de canal de cálcio, lidocaína
    • Preferir amiodarona
    • Considerar ECMO se disponível

Tabela 3: LAST com emulsão lipídica 20% e ACLS modificado

EtapaConduta/doseObservações do texto
Bolus inicial1,5 ml/kg em 2-3 minNúcleo do algoritmo
Infusão contínua0,25 ml·kg⁻¹·min⁻¹Manter até estabilidade e por 10 min após estabilização
RefratariedadeRepetir bolus e dobrar infusão contínua se necessárioSe instabilidade persistir
Dose máxima10-12 ml/kg (massa magra)"aproximada"
Epinefrina (suporte pressórico)Bolos de 10 mcg se PAS < 90 mmHgEstratégia de baixa dose em LAST
BicarbonatoConsiderar se pH < 7,2 ou hipercalemiaConforme texto
PCR em LASTEpinefrina 0,1 a 0,3 mg; evitar vasopressina, betabloqueador, BCC, lidocaína; preferir amiodarona; considerar ECMO"ACLS com modificações listadas"

5) Hemorragia e parada no cenário de trauma

A diretriz ressalta que, na parada em cenário de trauma pode ser necessário priorizar correção de causas reversíveis (como hemorragia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento), e que compressões podem ter prioridade relativa menor em alguns cenários descritos.

Recomendação 2025

  • Em adultos com suspeita de hemorragia, considerar hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até controle do sangramento, desde que não haja contraindicações (como TCE).

Ácido tranexâmico

  • Regime: 1 g em 10 min + 1 g em 8 h
  • Maior efetividade quando administrado nas primeiras 3 horas e "não mais tarde que 4 horas" após o trauma.

6) Bloqueio neuraxial alto

Pré-parada (manejo inicial)

  • Realizar avaliação de bradicardia, hipotensão e fraqueza neuromuscular
  • Descontinuar infusão de anestésico ou sedação
  • Administrar O₂ a 100%
  • Intubar se houver desconforto respiratório ou hipoxemia
  • Tratar bradicardia com atropina 1 mg IV ou administrar epinefrina 100-200 mcg IV
  • Considerar marcapasso transcutâneo ou transvenoso para todos os pacientes sintomáticos

Durante a parada cardíaca

  • Iniciar RCP
  • Administrar epinefrina 1 mg IV se não houver resposta

Pós-parada (manejo subsequente)

  • Considerar iniciar infusão de epinefrina na faixa de 0,05 a 0,1 mcg·kg⁻¹·min⁻¹

7) Hipertermia maligna

Sinais que sustentam a suspeita

  • Hipercapnia com elevação abrupta do ETCO₂
  • Taquicardia
  • Taquipneia em pacientes não paralisados
  • Rigidez muscular/espasmo de masseter
  • Hipertermia

Pré-parada (manejo inicial)

Ventilação/anestesia

  • Descontinuar anestésicos voláteis e mudar para anestésico IV (se necessário)
  • Interromper o procedimento quando viável
  • Desconectar do ventilador e ventilar manualmente com fonte de O₂ separada
  • Trocar para ventilador "limpo" dedicado, ventilador de transporte ou ventilador de UTI (se disponível)
  • Usar como alvo de ETCO₂ 50-60 mmHg

Medicação (tratamento específico)

  • Administrar dantrolene (sódio) 2,5 mg/kg IV pelo maior acesso venoso disponível

  • Repetir bolus de dantrolene, titulando até resolução dos sintomas

    • O quadro indica limite superior sugerido de 10 mg/kg, mas que pode ser necessário até 30 mg/kg
  • Evitar antagonistas do cálcio

Controle de temperatura

  • Aplicar bolsas de gelo em virilha, axilas e pescoço
  • Usar dispositivos de resfriamento (se disponíveis) para manejo de temperatura-alvo
  • Considerar lavagem gástrica por SNG fria ou lavagem peritoneal fria quando viável
  • Interromper resfriamento ao atingir 38°C para evitar "overshoot"

Hipercalemia

  • Administrar cloreto de cálcio 10 mg/kg IV
  • Insulina 0,1 U/kg
  • SGH 50% 50 ml em adultos ou 1 ml/kg em pediatria
  • Repetir conforme necessário

Acidose metabólica

  • Administrar bicarbonato (HCO₃) 100 mEq em adultos e titular para pH 7,2

Mioglobinúria com oligúria

  • Passar sonda vesical
  • Aumentar a taxa de reposição volêmica
  • Iniciar monitorização invasiva de pressão quando viável
  • Considerar HCO₃ para neutralizar o pH urinário
  • Considerar manitol IV

Coagulação intravascular disseminada

  • Instituir medidas de suporte

Apoio especializado

  • Acionar suporte/hotline de HM

Pós-crise / pós-evento (manejo subsequente)

  • Monitorar recrudescência por 72 horas
  • Manter dantrolene 1 mg/kg a cada 6 horas por, no mínimo, 24 horas
  • Tratar e resfriar conforme necessário

Após resolução:

  • Considerar teste de contratura in vitro (biópsia muscular com cafeína-halotano)
  • Considerar teste genético molecular para análise de mutação em familiares (o quadro registra sensibilidade de 25%)

8) Manejo do choque por disfunção do ventrículo esquerdo (insuficiência cardíaca esquerda aguda no perioperatório)

Perfil hemodinâmico

  • Choque refratário a volume com baixa variação de pressão de pulso (PPV baixa)

Princípios de manejo

  • Corrigir hipovolemia antes de iniciar drogas: em pacientes com função de VE comprometida, a diretriz afirma que a hipovolemia deve ser tratada antes de qualquer terapia farmacológica.
  • Se o paciente estiver hipotenso e euvolêmico/hipervolêmico: priorizar agentes que aumentem inotropia, listados no texto como dobutamina, epinefrina, milrinona e norepinefrina.
  • Se houver resistência vascular sistêmica elevada e o paciente tolerar redução de PA: usar agentes de redução de pós-carga, citados como nicardipina ou hidralazina.
  • Reduzir estiramento ventricular quando necessário: a diretriz menciona que diuréticos podem ser necessários para reduzir distensão/estiramento do ventrículo.
  • Disfunção diastólica significativa: frequentemente tratar com agente lusitrópico, citado como milrinona; o texto descreve que agentes lusitrópicos melhoram relaxamento, promovem melhor enchimento, aumento do volume sistólico e do débito cardíaco.
  • Se não houver resposta e houver potencial de recuperação: considerar suporte circulatório mecânico, incluindo balão intra-aórtico, dispositivos de assistência ventricular e suporte extracorpóreo/ECMO.

9) Manejo do choque por disfunção do ventrículo direito (insuficiência cardíaca direita aguda no perioperatório)

Mecanismo perioperatório destacado Pode ocorrer por aumento agudo da pós-carga do VD: êmbolo gasoso venoso, embolia gordurosa, cimento, material amniótico ou tromboembolismo.

A diretriz acrescenta que, em cerca de 5% dos casos, tromboembolismo agudo causa PCR, mais frequentemente em AESP.

Princípios de manejo

  • Volume deve ser usado com critério: a diretriz ressalta que nem toda falência de VD requer volume para "aumentar pré-carga".
  • Se a disfunção do VD estiver relacionada a excesso de fluidos: considerar diuréticos para reduzir trabalho ventricular e favorecer fluxo anterógrado para o VE.
  • Reduzir pós-carga do VD: usar vasodilatadores pulmonares inalatórios (óxido nítrico e epoprostenol) para reduzir resistência vascular pulmonar e, assim, reduzir pós-carga do VD.
  • Aumentar contratilidade do VD: usar inotrópicos (dobutamina ou epinefrina).
  • Manter perfusão sistêmica: usar vasoconstritores arteriais sistêmicos para manter PAM e perfusão de órgãos vitais.
  • Vasopressina (característica destacada): é descrita como vasopressor que causa vasoconstrição seletivamente na circulação sistêmica e poupa a circulação pulmonar.
  • Refratariedade ao manejo clínico: considerar ECMO ou dispositivo de assistência do VD.

10) Manejo do tromboembolismo/embolia pulmonar

Avaliação (quando suspeitar)

  • Instabilidade hemodinâmica significativa em casos de alto risco
  • Taquicardia e queda súbita do ETCO₂
  • Considerar ecocardiografia (TTE/TEE) para apoiar o diagnóstico

Manejo inicial: pré-parada

  • Interromper insuflação de gás e inundar o campo cirúrgico
  • Administrar O₂ a 100%
  • Intubar se houver desconforto respiratório ou hipoxemia
  • Posicionamento: Trendelenburg (cabeça para baixo) e rotação para decúbito lateral esquerdo
  • Manter pressão arterial com fluidos IV, vasopressores e agentes β-adrenérgicos
  • Considerar transferência para câmara hiperbárica se disponível imediatamente no caso de embolia gasosa

Se evoluir para parada cardíaca

  • Iniciar RCP e considerar circulação extracorpórea ou trombectomia emergente

Manejo subsequente (após estabilização inicial)

  • Considerar o algoritmo de choque de ventrículo direito como referência para condução hemodinâmica

PCR em posição prona: reduzir atraso para compressões#

Um ponto muito pragmático desta edição: em parada com paciente em prona, a diretriz sugere iniciar RCP em prona, em vez de atrasar compressões para virar o paciente para supino.

O texto ressalta limitações (por exemplo, cardioversão/desfibrilação pode ser menos efetiva em prona), mas a mensagem central é reduzir atraso para compressões.

Ventilação durante RCP: 10-12 irpm e evitar hiperventilação#

A atualização 2025 sugere ventilar 10-12 irpm e evitar >16 irpm durante a parada.

O racional destacado é fisiológico e operacional: hiperventilação favorece auto-PEEP, reduz retorno venoso e pode prejudicar ROSC; a diretriz ainda reconhece exceções situacionais (p.ex., condições específicas citadas no texto), mas a orientação de base permanece.

Ultrassom/Eco na RCP: pode ajudar, mas a pausa deve ser curta#

A diretriz admite uso de POCUS/eco como ferramenta diagnóstica durante RCP, desde que a pausa nas compressões seja limitada a 10 segundos.

Causas reversíveis que o ultrassom pode identificar durante PCR:

  • Intubação esofágica
  • Sangramento abdominal
  • Pneumotórax
  • Embolia pulmonar
  • Tamponamento

Além de diferenciar assistolia verdadeira de FV fina.

Mensagem final#

A diretriz PeRLS 2025 organiza a ressuscitação perioperatória como um conjunto de decisões rápidas, ancoradas em causas reversíveis características do centro cirúrgico, e formaliza recomendações operacionais com linguagem padronizada e algoritmos dedicados.

É leitura obrigatória para todo anestesiologista. Se precisar relembrar alguma recomendação, basta consultar o Anestcopilot!

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Jonas Santana

Jonas Santana

Médico Anestesiologista com Título Superior em Anestesiologia (TSA) pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Especialista em Clínica Médica com atuação em Terapia Intensiva. Diretor do Time de Curadoria do AnestCopilot.

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