Key takeaways para decidir mais rápido#
Onde a recomendação é forte (adultos)
- Cirurgia cardiotorácica aberta, abdominal aberta e mastectomia (adultos): bloqueios de plano fascial entram como recomendação forte, com evidência moderada de redução de dor/opioides (e satisfação/QoR em cenários específicos).
Minimamente invasiva: onde é forte vs condicional
- Minimamente invasiva abdominal (adultos): recomendação forte/moderada para várias cirurgias; hérnia minimamente invasiva fica como condicional/baixa.
Como escolher o bloqueio na prática
- A escolha do bloqueio deve levar em consideração a incisão + sítio esperado de dor.
Onde o AnestCopilot entra
- Se precisar revisar as referências anatômicas, doses e volume de anestésicos de cada um dos bloqueios, o Anestcopilot é a ferramenta sempre a mão para consultas rápidas.
Contexto e escopo da diretriz ASA 2026#
A American Society of Anesthesiologists publicou uma diretriz (2026) focada em analgesia perioperatória com técnicas locais e regionais para cirurgias cardiotorácicas, mastectomias e cirurgias abdominais (adultos e pediatria).
Os desfechos analisados foram centrados em escalas de dor e/ou consumo de opioides nas primeiras 24 horas.
As recomendações foram derivadas de ensaios clínicos randomizados (2013-jun/2023; atualização em dez/2024) e o próprio documento ressalta limitações metodológicas recorrentes (qualidade, inconsistência e amostras pequenas).
Um ponto crítico para a prática: o que a diretriz não foi desenhada para responder#
Um ponto crítico para a prática: a diretriz agrupa os bloqueios de plano fascial como uma categoria e exclui a avaliação comparativa entre diferentes bloqueios.
Ou seja, ela não foi desenhada para dizer "qual bloqueio fascial é melhor", e sim se vale a pena incorporar essas técnicas por tipo de cirurgia.
Todas as recomendações: força da recomendação e nível de evidência#
Abaixo, as recomendações exatamente como organizadas por cenário cirúrgico, com força e evidência.
| Cenário | População | Recomendação | Força | Evidência |
|---|---|---|---|---|
| Cardiotorácicas abertas (lobectomia, troca valvar aórtica, CRVM, reparo mitral, reparo septal) | Adultos | Recomendar bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h. | Forte | Moderada |
| Abdominais/retroperitoneais/pélvicas abertas | Adultos | Recomendar bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h e melhorar satisfação do paciente. | Forte | Moderada |
| Mastectomia | Adultos | Recomenda bloqueios de plano fascial ou bloqueio paravertebral para reduzir dor e/ou opioides em 24h; bloqueios de plano fascial também melhoram satisfação e qualidade de recuperação. | Forte | Moderada |
| Cardiotorácicas minimamente invasivas (inclui lobectomia, reparo/troca valvar, procedimentos esofágicos) | Adultos | Sugerir técnicas regionais (neuraxiais e bloqueios de plano fascial) para reduzir dor em 24h. | Condicional | Baixa |
| Abdominais minimamente invasivas (colecistectomia, apendicectomia, bariátrica, gastrectomia, hepatectomia) | Adultos | Recomenda bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h. | Forte | Moderada |
| Herniorrafia minimamente invasiva | Adultos | Sugerir bloqueios de plano fascial para reduzir dor em 24h. | Condicional | Baixa |
| Cardiotorácicas abertas (menores de 18 anos) | Pediatria | Recomendar bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h. | Forte | Moderada |
| Hérnia aberta (menores de 18 anos) | Pediatria | Sugerir bloqueios de plano fascial para reduzir dor em 24h. | Condicional | Baixa |
O que a diretriz mostra de vantagens (efeito clínico) por cenário cirúrgico#
Nesta diretriz, as "vantagens" são descritas principalmente em desfechos nas primeiras 24 horas, usando escalas de dor e/ou consumo de opioides.
A) Cardiotorácica aberta (adultos): recomendação forte, evidência moderada
Vantagens (desfechos em 24h):
- Redução de dor em repouso com magnitude > MCID (diferença clinicamente importante mínima definida como 1 ponto em escala 0-10).
- Redução de consumo de opioides, diferença média ~60 OME (equivalentes de morfina oral).
Quais bloqueios foram representados nos estudos:
- Bloqueio do plano dos eretores da espinha (ESP), pecto-intercostal, bloqueio do plano serrátil anterior, bloqueio do plano intercostal superficial paraesternal.
Indicação prática (como a própria diretriz orienta escolher): Como os bloqueios cobrem regiões diferentes da parede torácica, a escolha do bloqueio deve ser guiada pelo acesso cirúrgico e pelo sítio esperado de dor. A diretriz dá o exemplo: bloqueio do plano intercostal superficial parasternal para dor de esternotomia.
Nota relevante: A diretriz reconhece controvérsias e variabilidade técnica do ESP block (inclusive por não ser realizado de forma consistente nos diferentes estudos), o que pode impactar distribuição do anestésico e efeitos clínicos.
B) Cardiotorácica minimamente invasiva (adultos): recomendação condicional, evidência baixa
Vantagens: Há redução estatística de dor e, especialmente, redução clinicamente relevante de opioides em 24h em alguns estudos. Isso é destacado como potencialmente importante pelo maior risco de comprometimento respiratório pós-operatório nesses pacientes.
Quais técnicas/bloqueios aparecem na base de evidência:
- Bloqueios de plano fascial (exemplos: ESP, bloqueio intercostal, serrátil anterior), paravertebral (injeção única e contínuo) e epidural contínua.
Indicação prática (como a diretriz enquadra): A recomendação é incluir técnicas regionais (neuraxiais e/ou bloqueios de plano fascial) em um regime multimodal. A recomendação é condicional pela baixa evidência global.
O texto também contextualiza que epidural contínua, embora com redução clinicamente relevante de dor em alguns desfechos, não é recomendada para cirurgia torácica minimamente invasiva por grupos de manejo específico de dor pós-operatória (a diretriz cita o Procedure Specific Postoperative Pain Management group) e sugere considerar alternativas como paravertebral contínuo quando for necessário prolongar efeito do anestésico local.
C) Abdominal/retroperitoneal/pélvica aberta (adultos): recomendação forte, evidência moderada
Vantagens (24h): Redução de dor em repouso e dinâmica e redução de opioides. A redução de dor é descrita como modesta, mas com redução de opioides (~35 OME) e aumento de satisfação do paciente.
Exemplos de bloqueios incluídos na evidência (bloqueios de plano fascial):
- ESP, bloqueio do plano transverso abdominal (TAP), quadrado lombar (QL) e intercostal.
Indicação prática (limites e aplicabilidade): A diretriz enfatiza alta variabilidade entre estudos (procedimento, técnica, dose/local, timing e quem executa), mas ainda assim observa benefício analgésico global.
Importante: Não há recomendação específica para hérnia inguinal aberta, porque essas cirurgias frequentemente já são feitas sob anestesia local/regional, dificultando inferência do ganho incremental de um bloqueio fascial.
D) Abdominal minimamente invasiva (adultos): recomendação forte, evidência moderada (exceto hérnia: condicional/baixa)
Vantagens: A diretriz agrupa as cirurgias minimamente invasivas por padrão de incisão e intensidade de dor somática. Ressalta que bloqueios de plano fascial reduzem principalmente dor somática e têm menor influência em dor visceral, mas ainda assim mostram redução consistente de opioides entre categorias cirúrgicas.
Exemplos de bloqueios incluídos na evidência (bloqueios de plano fascial):
- ESP, quadrado lombar, bainha do reto, plano serrátil anterior, TAP.
Indicação prática: Recomendado (forte/moderado) para colecistectomia, apendicectomia, bariátrica, gastrectomia e ressecções hepáticas. Sugerido (condicional/baixa) para hérnia minimamente invasiva.
E) Mastectomia (adultos): recomendação forte, evidência moderada
Vantagens (24h): Bloqueios de plano fascial reduzem dor (repouso e dinâmica), reduzem opioides e melhoram qualidade de recuperação e satisfação.
Paravertebral também reduz opioides e dor em alguns desfechos, porém com força de evidência frequentemente menor. Não há ensaios (na base analisada) avaliando qualidade de recuperação com paravertebral.
Quais bloqueios foram representados nos estudos:
- Bloqueios de plano fascial: ESP, interpeitoral, pectoserrátil, serrátil anterior.
- Além disso, paravertebral (injeção única) também compõe a evidência comparada a controles.
Indicação prática: A diretriz conclui que ambos (paravertebral e bloqueios de plano fascial) fornecem analgesia efetiva. Nas análises comparativas disponíveis, não houve diferenças relevantes entre eles, mas bloqueios de plano fascial se associaram a melhora de qualidade de recuperação e satisfação.
Take-home#
- Cirurgia cardiotorácica aberta, abdominal aberta e mastectomia (adultos): bloqueios de plano fascial entram como recomendação forte, com evidência moderada de redução de dor/opioides (e satisfação/QoR em cenários específicos).
- Minimamente invasiva abdominal (adultos): recomendação forte/moderada para várias cirurgias; hérnia minimamente invasiva fica como condicional/baixa.
- A escolha do bloqueio deve levar em consideração a incisão + sítio esperado de dor.
- Se precisar revisar as referências anatômicas, doses e volume de anestésicos de cada um dos bloqueios, o Anestcopilot é a ferramenta sempre a mão para consultas rápidas.


