Key Takeaways#
Ventilação e compressão
- Ventilação durante PCR: ventilar 10-12 irpm e evitar hiperventilação (>16 irpm).
- PCR em prona: iniciar RCP na posição prona, sem virar para supino, para reduzir atrasos.
- POCUS/eco na RCP: pode ser usado, desde que a pausa em compressões seja ≤10 s.
Doses e escalonamento em cenários críticos perioperatórios
-
Bradicardia perioperatória: atropina com doses diferentes conforme cenário.
- 0,5 mg IV em bradicardia importante (FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão).
- 1,0 mg IV quando há suspeita de parada iminente/emergente, com escalonamento rápido.
- Atenção: não usar atropina em parada já estabelecida (seguir ACLS).
-
Anafilaxia: epinefrina com dose inicial definida e escalonamento rápido.
- Epinefrina IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM, com escalonamento rápido (ex.: duplicar).
-
Bloqueio neuraxial alto com "parada iminente": atropina 1 mg IV e epinefrina 100-200 mcg IV precoces, com algoritmo dedicado.
Toxicidades e condições específicas com padronização operacional
- LAST: emulsão lipídica 20% formalizada e "ACLS modificado", incluindo bolus/infusão, dose máxima e ajustes em vasopressores e antiarrítmicos.
- Hipertermia maligna: dantrolene com dose de ataque e checklist, com recomendação de dantrolene 2,5 mg/kg IV e sistematização de condutas associadas.
Hemorragia e trauma
-
Parada no cenário de trauma com suspeita de hemorragia: alvo de PA permissiva até hemostasia.
- Considerar hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até controlar o sangramento.
- Priorizar causas reversíveis na parada traumática.
Por que o PeRLS 2025 importa no centro cirúrgico#
Parada cardíaca no perioperatório segue sendo um evento raro, porém com desfechos potencialmente catastróficos. A diretriz lembra incidência aproximada de 2 a 13 por 10.000 anestesias e mortalidade até a alta que pode variar amplamente (~32 a 75%), dependendo do contexto.
O diferencial do centro cirúrgico é que muitas causas são reconhecíveis e reversíveis em minutos, desde hipóxia por via aérea até toxicidades farmacológicas e hemorragia aguda, mas a janela é curta.
A atualização PeRLS 2025, publicada na edição de dezembro de 2025 na Anesthesiology, é descrita como a terceira iteração realizada com método estruturado (perguntas PICO, recomendações e atualização de algoritmos).
Abaixo, faremos um resumo direto ao ponto com as mudanças/atualizações explicitadas em 2025. Lembrando que este post não substitui a necessidade de leitura do documento completo que inclui todos os fluxogramas completos.
O que a versão 2025 traz de mudanças#
Hipovolemia: reanimação guiada por responsividade a volume
Sugere usar índices dinâmicos (ex.: PPV) para orientar fluidos durante hipotensão em adultos.
Importante ficar atento às limitações: falência de VD, tórax aberto, hipertensão intra-abdominal e arritmias.
Ventilação durante PCR: alerta contra hiperventilação
Sugere ventilar 10-12 irpm e evitar hiperventilação (>16 irpm) durante a parada.
Bradicardia perioperatória: atropina com doses diferentes em cada cenário
- 0,5 mg IV em bradicardia importante (FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão).
- 1,0 mg IV quando há suspeita de parada iminente/emergente, com escalonamento rápido.
Atenção: não usar atropina em parada já estabelecida (seguir ACLS).
Anafilaxia: epinefrina IV com dose inicial definida e escalonamento rápido
Recomenda epinefrina IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM com escalonamento rápido (ex.: duplicar).
LAST: emulsão lipídica 20% formalizada + "ACLS modificado"
Recomenda emulsão lipídica 20% e descreve bolus/infusão e dose máxima, além de ajustes em vasopressores e antiarrítmicos.
Hipertermia maligna: dantrolene com dose de ataque e checklist
Recomenda dantrolene 2,5 mg/kg IV e sistematiza condutas associadas.
Parada no cenário de trauma com suspeita de hemorragia: alvo de PA permissiva até hemostasia
Sugere hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até controlar o sangramento.
E destaca priorização de causas reversíveis na parada traumática.
Bloqueio neuraxial alto: atropina/epinefrina precoces quando "parada iminente"
Sugere atropina 1 mg IV e epinefrina 100-200 mcg IV nesse contexto, com algoritmo dedicado.
PCR em prona: iniciar RCP na posição prona
Sugere começar compressões sem virar para supino, para reduzir atrasos.
POCUS/eco na RCP: pode, mas sem "roubar tempo" da compressão
Uso permitido, desde que a pausa em compressões seja ≤10 s.
Tabela 1: mudanças de 2025#
| Tema | Recomendação operacional destacada em 2025 | Observações/limitações citadas |
|---|---|---|
| Hipovolemia | Guiar reposição por responsividade a volume com índices dinâmicos (ex.: PPV) | Limitações: falência de VD, tórax aberto, hipertensão intra-abdominal, arritmias |
| Ventilação na PCR | 10-12 irpm e evitar hiperventilação (>16 irpm) | Diretriz reforça evitar hiperventilação |
| Bradicardia perioperatória | Atropina 0,5 mg IV vs 1,0 mg IV conforme cenário | Não usar atropina em parada estabelecida (seguir ACLS) |
| Anafilaxia | Epinefrina IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM com escalonamento rápido | Exemplo de escalonamento: duplicar |
| LAST | Emulsão lipídica 20% + "ACLS modificado" | Inclui bolus/infusão/dose máxima e ajustes em drogas |
| Hipertermia maligna | Dantrolene 2,5 mg/kg IV + checklist | Condutas associadas sistematizadas |
| Trauma com hemorragia | Hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até hemostasia | Priorizar causas reversíveis na parada traumática |
| Bloqueio neuraxial alto | Atropina 1 mg IV e epinefrina 100-200 mcg IV precoces quando "parada iminente" | Algoritmo dedicado |
| PCR em prona | Iniciar RCP em prona para reduzir atrasos | Objetivo central: reduzir atraso para compressões |
| POCUS/eco na RCP | Pode usar se pausa de compressão ≤10 s | Sem "roubar tempo" de compressões |
Diagnóstico rápido no perioperatório: "9H + 9T" (causas principais de PCR)#
A diretriz organiza as causas reversíveis do perioperatório em 9 Hs e 9 Ts, com exemplos do centro cirúrgico.
Revisando os algoritmos#
1) Bradicardia perioperatória
Conduta prática (conforme diretriz):
Ações imediatas
- O₂ 100%
- Checar ventilação/ETCO₂
- Hemodinâmica
- Profundidade anestésica e gatilhos vagais/cirúrgicos
- Causas perioperatórias relevantes
Atropina quando severa/instável
- 0,5 mg IV em bradicardia importante (FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão)
- 1,0 mg IV quando há suspeita de parada iminente, com escalonamento rápido.
Ponto de segurança
- Atropina não recomendada na parada estabelecida (seguir ACLS).
Escalonamento
- Considerar pacing quando disponível (o texto discute potencial superioridade em certos cenários) e seguir progressão do algoritmo.
Tabela 2: atropina na bradicardia perioperatória (PeRLS 2025)
| Cenário | Critério clínico citado | Dose de atropina |
|---|---|---|
| Bradicardia importante | FC < 40 bpm ou FC < 50 bpm com hipotensão | 0,5 mg IV |
| Suspeita de parada iminente/emergente | "parada iminente" com necessidade de escalonamento rápido | 1,0 mg IV |
| Parada já estabelecida | Parada estabelecida | Não usar atropina, seguir ACLS |
2) Taquicardia perioperatória
O algoritmo é estruturado em:
Primeiro filtro
- Instabilidade hemodinâmica: prioridade é cardioversão sincronizada.
- Se sem pulso: migrar para algoritmo de PCR.
Se não instável
-
Investigar causas perioperatórias e classificar por:
- QRS estreito vs largo
- Regular vs irregular Guiando terapêutica conforme o fluxograma do ACLS.
3) Anafilaxia perioperatória
A diretriz enfatiza variabilidade das apresentações clínicas e a possibilidade de deteriorização rápida.
O algoritmo é dividido em três blocos:
Pré-parada (reação grave/choque)
-
Interromper agente
-
Pedir ajuda
-
O₂ 100%
-
Volume (cristaloide ~20 ml/kg conforme necessidade)
-
Epinefrina em doses escalonadas:
- Inicialmente IV 0,05 a 0,1 mg EV ou 0,2 a 0,5 mg IM
- Doses repetidas de 0,1 a 0,3 a cada 3 a 5 min
- Possibilidade de infusão contínua (0.05 to 0.3 μg · kg−1 · min−1)
-
Se a hipotensão persistir: pode-se associar outro vasopressor (noradrenalina ou vasopressina).
Adjuvantes
- Antagonista H1: difenidramina 50 mg IV
- Antagonista H2: famotidina 20 mg IV
- Corticoide: hidrocortisona 50 a 150 mg ou metilprednisolona 1 a 2 mg/Kg
- Broncodilatador
- Glucagon se uso de betabloqueador
Parada cardíaca
- RCP
- Epinefrina 1 mg a cada 3-5 min
- Demais passos do ACLS
Após estabilização
- Coleta de histamina/triptase (timing)
- Monitorização em UTI por 24h após evento grave
4) LAST: intoxicação sistêmica por anestésico local
Pré-parada
- Suspender anestésico local
- Pedir ajuda
- O₂ 100%
- Evitar hiperventilação
- Tratar convulsões com benzodiazepínicos
- Evitar grande dose de propofol em instabilidade cardiovascular
- Comunicar equipe de ECMO
Emulsão lipídica 20% (núcleo do algoritmo)
-
Bolus 1,5 ml/kg (2-3 min) depois
-
Infusão 0,25 ml·kg⁻¹·min⁻¹
-
Manter até estabilidade e por 10 min após estabilização
-
Se instabilidade persistir:
- Repetir bolus
- Dobrar infusão contínua se necessário
-
Dose máxima aproximada 10-12 ml/kg (massa magra)
-
Administrar bolos de 10 mcg de epinefrina se PAS < 90 mmHg
-
Considerar bicarbonato se pH < 7,2 ou hipercalemia
Se PCR
-
RCP e ACLS com modificações listadas:
- Doses reduzidas de epinefrina 0,1 a 0,3 mg
- Evitar vasopressina, betabloqueador, bloqueador de canal de cálcio, lidocaína
- Preferir amiodarona
- Considerar ECMO se disponível
Tabela 3: LAST com emulsão lipídica 20% e ACLS modificado
| Etapa | Conduta/dose | Observações do texto |
|---|---|---|
| Bolus inicial | 1,5 ml/kg em 2-3 min | Núcleo do algoritmo |
| Infusão contínua | 0,25 ml·kg⁻¹·min⁻¹ | Manter até estabilidade e por 10 min após estabilização |
| Refratariedade | Repetir bolus e dobrar infusão contínua se necessário | Se instabilidade persistir |
| Dose máxima | 10-12 ml/kg (massa magra) | "aproximada" |
| Epinefrina (suporte pressórico) | Bolos de 10 mcg se PAS < 90 mmHg | Estratégia de baixa dose em LAST |
| Bicarbonato | Considerar se pH < 7,2 ou hipercalemia | Conforme texto |
| PCR em LAST | Epinefrina 0,1 a 0,3 mg; evitar vasopressina, betabloqueador, BCC, lidocaína; preferir amiodarona; considerar ECMO | "ACLS com modificações listadas" |
5) Hemorragia e parada no cenário de trauma
A diretriz ressalta que, na parada em cenário de trauma pode ser necessário priorizar correção de causas reversíveis (como hemorragia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento), e que compressões podem ter prioridade relativa menor em alguns cenários descritos.
Recomendação 2025
- Em adultos com suspeita de hemorragia, considerar hipotensão permissiva (PAM ~50 ou PAS ~70 mmHg) até controle do sangramento, desde que não haja contraindicações (como TCE).
Ácido tranexâmico
- Regime: 1 g em 10 min + 1 g em 8 h
- Maior efetividade quando administrado nas primeiras 3 horas e "não mais tarde que 4 horas" após o trauma.
6) Bloqueio neuraxial alto
Pré-parada (manejo inicial)
- Realizar avaliação de bradicardia, hipotensão e fraqueza neuromuscular
- Descontinuar infusão de anestésico ou sedação
- Administrar O₂ a 100%
- Intubar se houver desconforto respiratório ou hipoxemia
- Tratar bradicardia com atropina 1 mg IV ou administrar epinefrina 100-200 mcg IV
- Considerar marcapasso transcutâneo ou transvenoso para todos os pacientes sintomáticos
Durante a parada cardíaca
- Iniciar RCP
- Administrar epinefrina 1 mg IV se não houver resposta
Pós-parada (manejo subsequente)
- Considerar iniciar infusão de epinefrina na faixa de 0,05 a 0,1 mcg·kg⁻¹·min⁻¹
7) Hipertermia maligna
Sinais que sustentam a suspeita
- Hipercapnia com elevação abrupta do ETCO₂
- Taquicardia
- Taquipneia em pacientes não paralisados
- Rigidez muscular/espasmo de masseter
- Hipertermia
Pré-parada (manejo inicial)
Ventilação/anestesia
- Descontinuar anestésicos voláteis e mudar para anestésico IV (se necessário)
- Interromper o procedimento quando viável
- Desconectar do ventilador e ventilar manualmente com fonte de O₂ separada
- Trocar para ventilador "limpo" dedicado, ventilador de transporte ou ventilador de UTI (se disponível)
- Usar como alvo de ETCO₂ 50-60 mmHg
Medicação (tratamento específico)
-
Administrar dantrolene (sódio) 2,5 mg/kg IV pelo maior acesso venoso disponível
-
Repetir bolus de dantrolene, titulando até resolução dos sintomas
- O quadro indica limite superior sugerido de 10 mg/kg, mas que pode ser necessário até 30 mg/kg
-
Evitar antagonistas do cálcio
Controle de temperatura
- Aplicar bolsas de gelo em virilha, axilas e pescoço
- Usar dispositivos de resfriamento (se disponíveis) para manejo de temperatura-alvo
- Considerar lavagem gástrica por SNG fria ou lavagem peritoneal fria quando viável
- Interromper resfriamento ao atingir 38°C para evitar "overshoot"
Hipercalemia
- Administrar cloreto de cálcio 10 mg/kg IV
- Insulina 0,1 U/kg
- SGH 50% 50 ml em adultos ou 1 ml/kg em pediatria
- Repetir conforme necessário
Acidose metabólica
- Administrar bicarbonato (HCO₃) 100 mEq em adultos e titular para pH 7,2
Mioglobinúria com oligúria
- Passar sonda vesical
- Aumentar a taxa de reposição volêmica
- Iniciar monitorização invasiva de pressão quando viável
- Considerar HCO₃ para neutralizar o pH urinário
- Considerar manitol IV
Coagulação intravascular disseminada
- Instituir medidas de suporte
Apoio especializado
- Acionar suporte/hotline de HM
Pós-crise / pós-evento (manejo subsequente)
- Monitorar recrudescência por 72 horas
- Manter dantrolene 1 mg/kg a cada 6 horas por, no mínimo, 24 horas
- Tratar e resfriar conforme necessário
Após resolução:
- Considerar teste de contratura in vitro (biópsia muscular com cafeína-halotano)
- Considerar teste genético molecular para análise de mutação em familiares (o quadro registra sensibilidade de 25%)
8) Manejo do choque por disfunção do ventrículo esquerdo (insuficiência cardíaca esquerda aguda no perioperatório)
Perfil hemodinâmico
- Choque refratário a volume com baixa variação de pressão de pulso (PPV baixa)
Princípios de manejo
- Corrigir hipovolemia antes de iniciar drogas: em pacientes com função de VE comprometida, a diretriz afirma que a hipovolemia deve ser tratada antes de qualquer terapia farmacológica.
- Se o paciente estiver hipotenso e euvolêmico/hipervolêmico: priorizar agentes que aumentem inotropia, listados no texto como dobutamina, epinefrina, milrinona e norepinefrina.
- Se houver resistência vascular sistêmica elevada e o paciente tolerar redução de PA: usar agentes de redução de pós-carga, citados como nicardipina ou hidralazina.
- Reduzir estiramento ventricular quando necessário: a diretriz menciona que diuréticos podem ser necessários para reduzir distensão/estiramento do ventrículo.
- Disfunção diastólica significativa: frequentemente tratar com agente lusitrópico, citado como milrinona; o texto descreve que agentes lusitrópicos melhoram relaxamento, promovem melhor enchimento, aumento do volume sistólico e do débito cardíaco.
- Se não houver resposta e houver potencial de recuperação: considerar suporte circulatório mecânico, incluindo balão intra-aórtico, dispositivos de assistência ventricular e suporte extracorpóreo/ECMO.
9) Manejo do choque por disfunção do ventrículo direito (insuficiência cardíaca direita aguda no perioperatório)
Mecanismo perioperatório destacado Pode ocorrer por aumento agudo da pós-carga do VD: êmbolo gasoso venoso, embolia gordurosa, cimento, material amniótico ou tromboembolismo.
A diretriz acrescenta que, em cerca de 5% dos casos, tromboembolismo agudo causa PCR, mais frequentemente em AESP.
Princípios de manejo
- Volume deve ser usado com critério: a diretriz ressalta que nem toda falência de VD requer volume para "aumentar pré-carga".
- Se a disfunção do VD estiver relacionada a excesso de fluidos: considerar diuréticos para reduzir trabalho ventricular e favorecer fluxo anterógrado para o VE.
- Reduzir pós-carga do VD: usar vasodilatadores pulmonares inalatórios (óxido nítrico e epoprostenol) para reduzir resistência vascular pulmonar e, assim, reduzir pós-carga do VD.
- Aumentar contratilidade do VD: usar inotrópicos (dobutamina ou epinefrina).
- Manter perfusão sistêmica: usar vasoconstritores arteriais sistêmicos para manter PAM e perfusão de órgãos vitais.
- Vasopressina (característica destacada): é descrita como vasopressor que causa vasoconstrição seletivamente na circulação sistêmica e poupa a circulação pulmonar.
- Refratariedade ao manejo clínico: considerar ECMO ou dispositivo de assistência do VD.
10) Manejo do tromboembolismo/embolia pulmonar
Avaliação (quando suspeitar)
- Instabilidade hemodinâmica significativa em casos de alto risco
- Taquicardia e queda súbita do ETCO₂
- Considerar ecocardiografia (TTE/TEE) para apoiar o diagnóstico
Manejo inicial: pré-parada
- Interromper insuflação de gás e inundar o campo cirúrgico
- Administrar O₂ a 100%
- Intubar se houver desconforto respiratório ou hipoxemia
- Posicionamento: Trendelenburg (cabeça para baixo) e rotação para decúbito lateral esquerdo
- Manter pressão arterial com fluidos IV, vasopressores e agentes β-adrenérgicos
- Considerar transferência para câmara hiperbárica se disponível imediatamente no caso de embolia gasosa
Se evoluir para parada cardíaca
- Iniciar RCP e considerar circulação extracorpórea ou trombectomia emergente
Manejo subsequente (após estabilização inicial)
- Considerar o algoritmo de choque de ventrículo direito como referência para condução hemodinâmica
PCR em posição prona: reduzir atraso para compressões#
Um ponto muito pragmático desta edição: em parada com paciente em prona, a diretriz sugere iniciar RCP em prona, em vez de atrasar compressões para virar o paciente para supino.
O texto ressalta limitações (por exemplo, cardioversão/desfibrilação pode ser menos efetiva em prona), mas a mensagem central é reduzir atraso para compressões.
Ventilação durante RCP: 10-12 irpm e evitar hiperventilação#
A atualização 2025 sugere ventilar 10-12 irpm e evitar >16 irpm durante a parada.
O racional destacado é fisiológico e operacional: hiperventilação favorece auto-PEEP, reduz retorno venoso e pode prejudicar ROSC; a diretriz ainda reconhece exceções situacionais (p.ex., condições específicas citadas no texto), mas a orientação de base permanece.
Ultrassom/Eco na RCP: pode ajudar, mas a pausa deve ser curta#
A diretriz admite uso de POCUS/eco como ferramenta diagnóstica durante RCP, desde que a pausa nas compressões seja limitada a 10 segundos.
Causas reversíveis que o ultrassom pode identificar durante PCR:
- Intubação esofágica
- Sangramento abdominal
- Pneumotórax
- Embolia pulmonar
- Tamponamento
Além de diferenciar assistolia verdadeira de FV fina.
Mensagem final#
A diretriz PeRLS 2025 organiza a ressuscitação perioperatória como um conjunto de decisões rápidas, ancoradas em causas reversíveis características do centro cirúrgico, e formaliza recomendações operacionais com linguagem padronizada e algoritmos dedicados.
É leitura obrigatória para todo anestesiologista. Se precisar relembrar alguma recomendação, basta consultar o Anestcopilot!


