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Diretriz ASA 2026: bloqueios regionais em cirurgias abdominais, cardiotorácicas e mastectomias

A American Society of Anesthesiologists publicou uma diretriz (2026) focada em analgesia perioperatória com técnicas locais e regionais para cirurgias cardiotorácicas, mastectomias e cirurgias abdominais (adultos e pediatria), com desfechos centrados em escalas de dor e/ou consumo de opioides nas primeiras 24 horas.

Jonas Santana

Jonas Santana

Verificado

Anestesiólogo Certificado · Especialista en Medicina Interna

Diretriz ASA 2026: bloqueios regionais em cirurgias abdominais, cardiotorácicas e mastectomias

Key takeaways para decidir mais rápido#

Onde a recomendação é forte (adultos)

  • Cirurgia cardiotorácica aberta, abdominal aberta e mastectomia (adultos): bloqueios de plano fascial entram como recomendação forte, com evidência moderada de redução de dor/opioides (e satisfação/QoR em cenários específicos).

Minimamente invasiva: onde é forte vs condicional

  • Minimamente invasiva abdominal (adultos): recomendação forte/moderada para várias cirurgias; hérnia minimamente invasiva fica como condicional/baixa.

Como escolher o bloqueio na prática

  • A escolha do bloqueio deve levar em consideração a incisão + sítio esperado de dor.

Onde o AnestCopilot entra

  • Se precisar revisar as referências anatômicas, doses e volume de anestésicos de cada um dos bloqueios, o Anestcopilot é a ferramenta sempre a mão para consultas rápidas.

Contexto e escopo da diretriz ASA 2026#

A American Society of Anesthesiologists publicou uma diretriz (2026) focada em analgesia perioperatória com técnicas locais e regionais para cirurgias cardiotorácicas, mastectomias e cirurgias abdominais (adultos e pediatria).

Os desfechos analisados foram centrados em escalas de dor e/ou consumo de opioides nas primeiras 24 horas.

As recomendações foram derivadas de ensaios clínicos randomizados (2013-jun/2023; atualização em dez/2024) e o próprio documento ressalta limitações metodológicas recorrentes (qualidade, inconsistência e amostras pequenas).

Um ponto crítico para a prática: o que a diretriz não foi desenhada para responder#

Um ponto crítico para a prática: a diretriz agrupa os bloqueios de plano fascial como uma categoria e exclui a avaliação comparativa entre diferentes bloqueios.

Ou seja, ela não foi desenhada para dizer "qual bloqueio fascial é melhor", e sim se vale a pena incorporar essas técnicas por tipo de cirurgia.

Todas as recomendações: força da recomendação e nível de evidência#

Abaixo, as recomendações exatamente como organizadas por cenário cirúrgico, com força e evidência.

CenárioPopulaçãoRecomendaçãoForçaEvidência
Cardiotorácicas abertas (lobectomia, troca valvar aórtica, CRVM, reparo mitral, reparo septal)AdultosRecomendar bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h.ForteModerada
Abdominais/retroperitoneais/pélvicas abertasAdultosRecomendar bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h e melhorar satisfação do paciente.ForteModerada
MastectomiaAdultosRecomenda bloqueios de plano fascial ou bloqueio paravertebral para reduzir dor e/ou opioides em 24h; bloqueios de plano fascial também melhoram satisfação e qualidade de recuperação.ForteModerada
Cardiotorácicas minimamente invasivas (inclui lobectomia, reparo/troca valvar, procedimentos esofágicos)AdultosSugerir técnicas regionais (neuraxiais e bloqueios de plano fascial) para reduzir dor em 24h.CondicionalBaixa
Abdominais minimamente invasivas (colecistectomia, apendicectomia, bariátrica, gastrectomia, hepatectomia)AdultosRecomenda bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h.ForteModerada
Herniorrafia minimamente invasivaAdultosSugerir bloqueios de plano fascial para reduzir dor em 24h.CondicionalBaixa
Cardiotorácicas abertas (menores de 18 anos)PediatriaRecomendar bloqueios de plano fascial para reduzir dor e/ou opioides em 24h.ForteModerada
Hérnia aberta (menores de 18 anos)PediatriaSugerir bloqueios de plano fascial para reduzir dor em 24h.CondicionalBaixa

O que a diretriz mostra de vantagens (efeito clínico) por cenário cirúrgico#

Nesta diretriz, as "vantagens" são descritas principalmente em desfechos nas primeiras 24 horas, usando escalas de dor e/ou consumo de opioides.

A) Cardiotorácica aberta (adultos): recomendação forte, evidência moderada

Vantagens (desfechos em 24h):

  • Redução de dor em repouso com magnitude > MCID (diferença clinicamente importante mínima definida como 1 ponto em escala 0-10).
  • Redução de consumo de opioides, diferença média ~60 OME (equivalentes de morfina oral).

Quais bloqueios foram representados nos estudos:

  • Bloqueio do plano dos eretores da espinha (ESP), pecto-intercostal, bloqueio do plano serrátil anterior, bloqueio do plano intercostal superficial paraesternal.

Indicação prática (como a própria diretriz orienta escolher): Como os bloqueios cobrem regiões diferentes da parede torácica, a escolha do bloqueio deve ser guiada pelo acesso cirúrgico e pelo sítio esperado de dor. A diretriz dá o exemplo: bloqueio do plano intercostal superficial parasternal para dor de esternotomia.

Nota relevante: A diretriz reconhece controvérsias e variabilidade técnica do ESP block (inclusive por não ser realizado de forma consistente nos diferentes estudos), o que pode impactar distribuição do anestésico e efeitos clínicos.

B) Cardiotorácica minimamente invasiva (adultos): recomendação condicional, evidência baixa

Vantagens: Há redução estatística de dor e, especialmente, redução clinicamente relevante de opioides em 24h em alguns estudos. Isso é destacado como potencialmente importante pelo maior risco de comprometimento respiratório pós-operatório nesses pacientes.

Quais técnicas/bloqueios aparecem na base de evidência:

  • Bloqueios de plano fascial (exemplos: ESP, bloqueio intercostal, serrátil anterior), paravertebral (injeção única e contínuo) e epidural contínua.

Indicação prática (como a diretriz enquadra): A recomendação é incluir técnicas regionais (neuraxiais e/ou bloqueios de plano fascial) em um regime multimodal. A recomendação é condicional pela baixa evidência global.

O texto também contextualiza que epidural contínua, embora com redução clinicamente relevante de dor em alguns desfechos, não é recomendada para cirurgia torácica minimamente invasiva por grupos de manejo específico de dor pós-operatória (a diretriz cita o Procedure Specific Postoperative Pain Management group) e sugere considerar alternativas como paravertebral contínuo quando for necessário prolongar efeito do anestésico local.

C) Abdominal/retroperitoneal/pélvica aberta (adultos): recomendação forte, evidência moderada

Vantagens (24h): Redução de dor em repouso e dinâmica e redução de opioides. A redução de dor é descrita como modesta, mas com redução de opioides (~35 OME) e aumento de satisfação do paciente.

Exemplos de bloqueios incluídos na evidência (bloqueios de plano fascial):

  • ESP, bloqueio do plano transverso abdominal (TAP), quadrado lombar (QL) e intercostal.

Indicação prática (limites e aplicabilidade): A diretriz enfatiza alta variabilidade entre estudos (procedimento, técnica, dose/local, timing e quem executa), mas ainda assim observa benefício analgésico global.

Importante: Não há recomendação específica para hérnia inguinal aberta, porque essas cirurgias frequentemente já são feitas sob anestesia local/regional, dificultando inferência do ganho incremental de um bloqueio fascial.

D) Abdominal minimamente invasiva (adultos): recomendação forte, evidência moderada (exceto hérnia: condicional/baixa)

Vantagens: A diretriz agrupa as cirurgias minimamente invasivas por padrão de incisão e intensidade de dor somática. Ressalta que bloqueios de plano fascial reduzem principalmente dor somática e têm menor influência em dor visceral, mas ainda assim mostram redução consistente de opioides entre categorias cirúrgicas.

Exemplos de bloqueios incluídos na evidência (bloqueios de plano fascial):

  • ESP, quadrado lombar, bainha do reto, plano serrátil anterior, TAP.

Indicação prática: Recomendado (forte/moderado) para colecistectomia, apendicectomia, bariátrica, gastrectomia e ressecções hepáticas. Sugerido (condicional/baixa) para hérnia minimamente invasiva.

E) Mastectomia (adultos): recomendação forte, evidência moderada

Vantagens (24h): Bloqueios de plano fascial reduzem dor (repouso e dinâmica), reduzem opioides e melhoram qualidade de recuperação e satisfação.

Paravertebral também reduz opioides e dor em alguns desfechos, porém com força de evidência frequentemente menor. Não há ensaios (na base analisada) avaliando qualidade de recuperação com paravertebral.

Quais bloqueios foram representados nos estudos:

  • Bloqueios de plano fascial: ESP, interpeitoral, pectoserrátil, serrátil anterior.
  • Além disso, paravertebral (injeção única) também compõe a evidência comparada a controles.

Indicação prática: A diretriz conclui que ambos (paravertebral e bloqueios de plano fascial) fornecem analgesia efetiva. Nas análises comparativas disponíveis, não houve diferenças relevantes entre eles, mas bloqueios de plano fascial se associaram a melhora de qualidade de recuperação e satisfação.

Take-home#

  • Cirurgia cardiotorácica aberta, abdominal aberta e mastectomia (adultos): bloqueios de plano fascial entram como recomendação forte, com evidência moderada de redução de dor/opioides (e satisfação/QoR em cenários específicos).
  • Minimamente invasiva abdominal (adultos): recomendação forte/moderada para várias cirurgias; hérnia minimamente invasiva fica como condicional/baixa.
  • A escolha do bloqueio deve levar em consideração a incisão + sítio esperado de dor.
  • Se precisar revisar as referências anatômicas, doses e volume de anestésicos de cada um dos bloqueios, o Anestcopilot é a ferramenta sempre a mão para consultas rápidas.
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Jonas Santana

Jonas Santana

Médico Anestesiólogo con Título Superior en Anestesiología (TSA) de la Sociedad Brasileña de Anestesiología. Especialista en Medicina Interna con actuación en Terapia Intensiva. Director del Equipo de Curación de AnestCopilot.

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